Li ali

Terça-feira, Julho 15, 2008

Ouvi ainda ontem. Sim, sim. Estive perplexo. Fui arrastado por um sobressalto incomum e negro, e talvez tenha estado parado aqui por esta razão. Não, fui incapaz de chorar. Hoje em dia (hojemdia, deviam vocabularizar este troço), proíbe-se o choro pela única e extrema razão de que não é conosco e não é com os nossos. Clãs? Não, a não ser que você se esteja por clãs referindo a famílias. Não se pode tirar energia de muitos lugares, e talvez um dos menos fecundos seja por si a indignação. Quando tomados de indignação, a energia nuclear que obtemos vem de outras fontes. Talvez o desejo pela mudança, a raiva contida pelo acontecimento, talvez até aquela certa inveja por não ter participação. A coisa é que da indignação o que resulta é aquele sorriso parvo e tolo, um tanto contido e negligente. Foi só o que pude oferecer ao mundo quando fui informado deste fato. Hã? Não, não acho que o mundo só possa esperar isso de mim.

One Response to “Li ali”


  1. [...] que estamos vulneráveis. Sujeitos a isso e àquilo, e é como se fôssemos a notícia absurda de amanhã. Tá na listinha. O terceiro pensamento, e esse o mais perigoso, é o de que isso acontece, o mundo [...]


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