Os diálogos como em music catch
Às vezes sou só mais uma pessoa lerda no mundo. Nos outros momentos, divido-me entre a inexistência e um papel importantíssimo: estar em contato com gente vazia que fala demais. Para essas infindáveis horas, reservo sempre o que sobra da paciência e dos sorrisos vãos, e digo que algum dia desses ainda serei desmascarado. Vão contar-me as vinte e oito abobrinhas costumeiras quando, ao reparar que não sorri (e nem o fiz a começar por um eme), terão um daqueles lapsos infinitesimais de dúvida em que nos perguntamos se viver vale mesmo a pena e se estarão prestando atenção no que dizemos. É tão certo que me defenderei: sairão dos bolsos e dos sapatos todos os restinhos de argumento que vão sendo guardados quando das conversas ricas diretamente como se não precisassem ser ditos nem respondidos, acusarão em rebote por cima das palavras que nos direcionam num jogo de empurra que se estenderá somente até o momento em que, não se sabe ao certo de onde, talvez até dos céus ou das partículas de água em suspensão no ar num dia ensolarado, terá efeito a tachação extrema das conversas, dos relacionamentos e da interpessoalidade frívola que se baseia em rótulos e perfis: és então mais ignorante do que eu, viva consigo.



Terça-feira, Julho 22, 2008 at 2:42 am
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