Sobre a nossa amiga
Domingo, Março 16, 2008
A estupidez só não tem mais mãos porque, humana, deram-lhe apenas dois braços. Em vão tenta manipular três objetos e sucumbe, a olhar dá uma certa pena. Dir-se-ia que a estupidez, como se pode ver, é bastante limitada, e até que se desejasse, não poderia obter nenhum grande feito. Contudo, esquecem que a estupidez pensa. E, pensante, ganha uma nova dimensão, é capaz de planejar. Perde todo o seu precioso tempo mirabolando as pequenas charadas estruturais que podem levar um feito, algo que poderia dar-se tão soberbamente, tão certo, a esbrulhangar-se numa explosão sólida, que empurra adiante toda benevolência e corretude, todo planejamento e toda aurora, reduzindo ao pó cinza-esbranquiçado o que deveria ser um resultado grandioso. Nossa amiga por vezes pensa como um ente que nos é conhecido. Pinta-se em telas, demonstra-se em uma e outra poses com algum sentimento de grandiosidade (que não sabemos de onde é que vem), acha-se conscientemente em pés sobre o mundo. Tudo pode realizar e tudo pode ser, desde que dela parta. Sabemos também onde este e outros êxtases terminam. Terminam em chãos de banheiros, em táxis pútridos, em poças ou em escadas, no fervilhar da volta para casa, e eventualmente são absorvidos pelos travesseiros. Diz-se da estupidez que só pode obter dois tipos de resultado. Bem triunfa sobre a incapacidade ou amarela as branquetudes.



Domingo, Março 16, 2008 at 9:04 pm
[...] céticos, impacientes, deselegantemente mal-educados elevando o tom de voz e demonstrando por meios imbecis a superioridade que julgamos ali e sempre ter, seria um motivo simpático. Querem criatividade [...]