Já chovi
Quinta-feira, Janeiro 17, 2008
Num pequeno facho de janela aberta entrevejo trechos de prédios escurecidos pelo tempo abaixo de um céu azul-abranqueado insistentemente chuvoso. Os céus chovem abertamente, sem preocupações com desejos de sóis quentes e águas frescas. Meu pequeno retângulo vítreo recebe águas e águas, distorcem-se os prédios e a partir deles os pensamentos. Se ao menos eu fosse leve o suficiente para pisar nas gotas de chuva conforme caem, poderia andar pelo ar, com alguma habilidade até conseguiria subir nas nuvens. Uma vez lá em cima, eu poderia por mim mesmo chover. E a quem viesse dizer depois que chover é verbo impessoal, responderia: “Eu não acho não. É até muito pessoal, eu mesmo já chovi.”.



Sexta-Feira, Janeiro 18, 2008 at 9:54 am
Não sabia da existência desses blogs…
Li um depois do outro e dá vontade de não parar de ler até o fim de todos os posts.
Adorei nosso jantar no Peruano.
Beijoca
Domingo, Janeiro 20, 2008 at 1:36 pm
você só sabe escrever nos dias 17?
e eu nunca tenho nenhum comentário inteligente sobre seus textos..
esse me tocou.
eu mesma chovo as vezes.
Quinta-feira, Janeiro 31, 2008 at 3:24 pm
então, chovemos.
Segunda-feira, Fevereiro 4, 2008 at 12:20 pm
Teus textos tocam lugares tão escuros e empoeirados de mim ao mesmo tempo em que tocam minhas áreas mais conhecidas. Resultado: teus textos são ação sem reação visível, sem comentários sobre o texto, propriamente dito…
Seria revelar-me demais falar sobre o que está escrito… Lá dentro, sei bem o que dizer. Por fora (que é exatamente onde se encontram os dedos, sabes, aquelas coisinhas que digitam) nada há que possa ser explicitado…
És tão simples que chega a ser profundo (Lembra? simples – vazio = profundo²) ^^
Saudades… De ti, do gato e da Omelete ^^
Sábado, Março 1, 2008 at 11:27 am
Uma pena mesmo não conseguir passar de ‘eu poderia por mim mesmo chover’. meus olhos pesam e sonho comigo feito gota dentro do baú. Funcionaria melhor se ao invés de ler, alguém pudesse recitar pra mim. É assim que fazem pra que o meliante durma, não é? Prometo não babar nem em você, nem no baú. palavra.