A febre dos segundos galopantes
Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
Naquela época houve um transtorno tal que não se podia imaginar quando um grupo razoável de segundos resolveu passar mais rápido. Tudo foi fugindo de controle e em pouco já havia fatos que deveriam acontecer no futuro acontecendo no presente, e o pior deu-se quando já eram passado coisas que você planejou pra dias depois. Os segundos, apesar do que pode parecer, são razoavelmente desorganizados, e bem a despeito do que fazem bons propósitos quando se vêem em situações calamitosas não conseguiram sequer uma reunião por absoluta incapacidade de que todos acontecessem ao mesmo tempo. Inventaram então uma rede de comunicações mais rápida que fazia uso dos bloquinhos quânticos de tempo. Até aquele momento, a rede mais veloz era a dos milissegundos, ainda impraticável pra segundos tão distantes quanto dois dias. A rede quântica funcionou tão bem que segundos anos distantes puderam se conhecer e houve até o caso estranho de um deles que resolveu esperar três anos para encontrar o segundo amado. Após o advento do tempo quântico, finalmente foi organizado um movimento pela pontualidade temporal. Seus defensores argumentavam que se tratava de algo intrinsecamente necessário ao universo, imagine-se como ser pontual se o tempo impossibilitar isso por si só? Não havia uma estrutura hierárquica capaz de organizar uma tomada de decisão, então o que ocorreu foi exatamente o que se podia esperar de um caso assim. O tempo passou. Ainda hoje há relatos de comportamentos estranhamente bizarros dos segundos. Outro dia ninguém acreditou quando eu disse que não tinha fome porque almoçaria dali há quinze minutos.



Segunda-feira, Janeiro 29, 2007 at 11:35 am
Gostei :)
Segunda-feira, Janeiro 29, 2007 at 4:47 pm
Seu colorimetrista, eu gostei desse seu post, viu?
Anda minimal, o moço. Quem gosta disso é o moço artista plástico.